HUMBERTONA

Cabo Verde

 

HUMBERTONA

Após ter prestado homenagem a Horace Silver, a Codé di Dona, Cesária Évora, Manuel Clarinete, Morgadinho, Dany Silva e Chico Serra, será Humbertona o homenageado deste ano.

 
Considerado um dos principais solistas de violão de Cabo Verde, toda a sua obra discográfica a solo foi produzida entre 1966 e 1971, altura em que estudava na Universidade de Lovaina, na Bélgica.

Antes disso, participara, a partir de 1964, com os irmãos mindelenses Marques da Silva, no grupo Ritmos Cabo-Verdianos, primeira formação a utilizar instrumentos elétricos em Cabo Verde e que em 1966 vai para Portugal disputar um concurso de ié-ié.

Humbertona não volta para Cabo Verde, mas segue para a Bélgica (onde inicialmente cursa agronomia, mas acaba por se licenciar em economia e gestão).

Nesse mesmo ano, em Roterdão, grava de uma só vez material suficiente para os seus dois primeiros discos, editados pela Casa Silva/Morabeza Records, do seu primo Djunga de Biluca: Lágrimas e dor, que sai em 1967, e Morna ca so dor, de 1969.
Irá gravar outros quatro LP, em que os solos de violão têm quase sempre como embalagem capas com textos de cariz político. No último, Dispidida, um texto sem assinatura fala, em crioulo, da esperança num novo tempo: “Sem kanga, sem mizéria, sem terra-longe, sem sufrimento, enton, nesse nova era keta surgi, tude gente ta kantá I dansá sê mornaI sê koladera”.

Humbertona toca nos primeiros discos de Bonga (Angola 72 e Angola 74), em Mona linda e La violenta, de Luís Morais, e em Mar di Furna, de Bana.



Em 1982 é nomeado embaixador de Cabo Verde na Holanda, países nórdicos e CEE e, em 1987, nas Nações Unidas, em Nova Iorque, onde permanece até 1991.

Após a derrota do PAICV nas eleições desse ano, trabalha como consultor para organismos internacionais e cria uma escola de informática.
A partir de 2001, é o presidente da Cabo Verde Telecom.

Desde o seu período na Holanda Humbertona é cônsul honorário deste país para as ilhas de Sotavento.

Nos seus discos, nunca gravou composições próprias, apesar de manter na gaveta alguns temas, que não considera relevantes.

Depois de tantos anos sem gravar, por razões várias, considera, em 2004, que tecnicamente não ultrapassaria o seu último trabalho, Sodade – Rapsódias de mornas e coladeiras, no qual contou com o acompanhamento de Toy Ramos.
Humbertona teve como mestre, ainda adolescente, Malaquias Costa, que o punha a acompanhar mornas, depois de abandonadas as lições de solfejo com o regente da banda municipal, José Alves dos Reis, com quem a mãe estudara piano. A música, aliás, estava na família, já que outro violonista que marcou época, Pipita Bettencourt, é seu tio.

E pouco a pouco, com amigos mais experientes e reproduzindo o que ouvia em discos brasileiros, o jovem Humberto ia desenvolvendo o seu talento. Certo dia, o pai – que resistia à ideia de um filho tocador de violão, atividade associada à farra e à vadiagem – é felicitado por alguém que ouvira o rapaz a tocar. E muito bem.

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8 abr 2017 » 23:30
Fidjus di Codé di Dona